PENTĂNCIA, PENITĂNCIA, PENITĂNCIA !
- VĂąnia Cavalcante
- 24 de nov. de 2022
- 8 min de leitura

âQuereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele Ă© ofendido e de sĂșplica pela conversĂŁo dos pecadores?â
Essa foi a pergunta da Virgem Maria aos Pastorinhos na primeira aparição, em de maio de 1917. Eles, com muita prontidĂŁo, responderam: âSim, queremosâ. Em seguida, Nossa Senhora os precaveu: âIdes, pois tem muito que sofrerâ, e prometeu: âmas, a graça de Deus serĂĄ o vosso confortoâ (In MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 173-174)
No decorrer das apariçÔes de FĂĄtima, podemos constatar que a vida dos Pastorinhos foi uma constante e generosa oferta a Deus. Eles compreenderam a profundidade da mensagem da Virgem Maria e vivenciaram de tal maneira os seus apelos, a ponto de Jacinta e Francisco, que faleceram antes de se completarem trĂȘs anos da primeira aparição, serem elevados Ă honra dos altares, sendo os mais jovens beatos nĂŁo mĂĄrtires da histĂłria da Igreja.
Nosso saudoso Papa JoĂŁo Paulo II, na homilia da beatificação dos Pastorinhos, em FĂĄtima, em 13 de maio de 2000, exclamou: âPedi aos vossos pais e educadores que vos metam na «escola» de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os Pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia. Digo-vos que «se avança mais em pouco tempo de submissĂŁo e dependĂȘncia de Maria, que durante anos inteiros de iniciativas pessoais, apoiados apenas em si mesmos» (S. LuĂs de Montfort, Tratado da verdadeira devoção Ă SS.ma Virgem, nÂș 155). Foi assim que os Pastorinhos se tornaram santos depressa.â
Hoje, essa pergunta da Virgem Maria quer ecoar em nosso coração: âQuereis oferecer-vos a DeusâŠ?â Assim como ela ensinou a Francisco, Jacinta e LĂșcia, quer tambĂ©m nos ensinar a via do oferecimento. A Mensagem de FĂĄtima nos ensina que podemos crescer nesta via de duas formas. A primeira, por meio dos sacrifĂcios involuntĂĄrios, aqueles que o prĂłprio Deus nos envia, como afirmou a Virgem SantĂssima: âQuereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vosâŠâ. A segunda sĂŁo os sacrifĂcios voluntĂĄrios, aquelas penitĂȘncias voluntariamente oferecidas a Deus. Assim, ela enfatizou na aparição de julho: âSacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifĂcio: âĂ Jesus, Ă© por Vosso amor, pela conversĂŁo dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.ââ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 176)
Um ano antes de Nossa Senhora aparecer, Nosso Senhor enviou Seu anjo para preparar o coração das crianças, a fim de receber a mensagem trazida por Sua SantĂssima MĂŁe; e, assim, Ele começou a introduzi-los na mĂstica da oferta a Deus: ââŠQue fazeis? Orai! Orai muito! O Coração de Jesus e Maria tĂȘm sobre vĂłs desĂgnios de misericĂłrdia. Oferecei constantemente ao AltĂssimo oraçÔes e sacrifĂcios. Como nos havemos de sacrificar? Perguntei. De tudo que puderdes, oferecei um sacrifĂcio em ato de reparação pelos pecados com que Ele Ă© ofendido e de sĂșplica pela conversĂŁo dos pecadores.
AtraĂ, assim, sobre a vossa PĂĄtria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissĂŁo o sofrimento que o Senhor vos enviar. Essas palavras do anjo gravaram-se em nosso espĂrito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifĂcio e como ele Lhe era agradĂĄvel, como, por atenção a ele, convertia os pecadores.â (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 170)
Posteriormente, tendo jĂĄ Nossa Senhora aparecido, o anjo novamente adverte sobre a necessidade de fazer penitĂȘncia num tom mais urgente, na aparição de julho de 1917 (terceira parte do segredo): â⊠vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mĂŁo esquerda; ao cintilar, despedia chamas que pareciam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mĂŁo direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O anjo, apontando com a mĂŁo direita para a Terra, com voz forte disse: âPenitĂȘncia, PenitĂȘncia, PenitĂȘncia!ââ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 213)
Por penitĂȘncia compreendemos primeiramente que Ă© o sacramento que nos reconcilia com Deus e com a Igreja.âĂ chamado sacramento da penitĂȘncia, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversĂŁo, de arrependimento e satisfação por parte do cristĂŁo pecadorâ(CIC 1423).
Compreendemos tambĂ©m que sĂŁo aqueles sacrifĂcios involuntĂĄrios e voluntĂĄrios oferecidos a Deus que citamos. âA penitĂȘncia interior do cristĂŁo pode ter expressĂ”es muito variadas. A Escritura e os padres insistem sobretudo em trĂȘs formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversĂŁo em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo batismo ou pelo martĂrio, citam, como meios de obter o perdĂŁo dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o prĂłximo, as lĂĄgrimas de penitĂȘncia, a preocupação com a salvação do prĂłximo, a intercessĂŁo dos santos e a prĂĄtica da caridade, âque cobre uma multidĂŁo de pecadosâ (1 Pe 4,8)â (CIC 1434).
Francisco, Jacinta e LĂșcia foram mestres insignes na prĂĄtica da penitĂȘncia, de forma involuntĂĄria e voluntĂĄria, com a intenção de consolar Jesus, converter os pecadores e reparar o Imaculado Coração de Maria. IrmĂŁ LĂșcia, nas suas memĂłrias, desvela-nos o âvĂ©uâ e nos mostra alguns sacrifĂcios voluntĂĄrios e involuntĂĄrios que faziam:
Dos sacrifĂcios voluntĂĄrios:
âJacinta tomou tanto a peito os sacrifĂcios pela conversĂŁo dos pecadores, que nĂŁo deixava escapar ocasiĂŁo alguma. Havia crianças, filhos de duas famĂlias da Moita, que andavam pelas portas a pedir. Encontramo-las, um dia, quando Ăamos com o nosso rebanho. Jacinta, ao vĂȘ-los, disse-nos: Damos a nossa merenda Ă queles pobrezinhos, pela conversĂŁo dos pecadores? E correu a levar-lha. Pela tarde, disse-me que tinha fome. Havia ali algumas azinheiras e carvalhos. A bolota estava ainda bastante verde, no entanto, disse-lhe que podĂamos comer dela. Francisco subiu a uma azinheira para encher os bolsos, mas Jacinta se lembrou que podĂamos comer da dos carvalhos, para fazer o sacrifĂcio de comer a amarga. E lĂĄ saboreamos, aquela tarde, aquele delicioso manjar! Jacinta tomou este por um dos seus sacrifĂcios habituais. Colhia as bolotas dos carvalhos ou a azeitona das oliveiras.
Disse-lhe um dia: Jacinta, nĂŁo comas isso, que amarga muito. Pois Ă© por amargar que o como, para converter os pecadores. NĂŁo foram sĂł estes os nossos jejuns. Combinamos, sempre que encontrĂĄssemos os tais pobrezinhos, dar-lhes a nossa merenda; e as pobres crianças, contentes com a nossa esmola, procuravam encontrar-nos e esperavam-nos pelo caminho. Logo que os vĂamos, Jacinta corria a levar-lhes todo o nosso sustento desse dia, com tanta satisfação, como se nĂŁo lhe fizesse faltaâ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 46,47).
âPassados alguns dias, Ăamos com as nossas ovelhinhas por um caminho, no qual encontrei um bocado duma corda dum carro. Peguei nela e, brincando, atei-a a um braço. NĂŁo tardei a notar que a corda me magoava. Disse, entĂŁo, para meus primos: Olhem, isso faz doer. PodĂamos atĂĄ-la Ă cinta e oferecer a Deus este sacrifĂcio. As pobres crianças aceitaram logo a minha ideia e tratamos, em seguida, de a dividir entre os trĂȘs. A esquina duma pedra, batendo em cima doutra, foi a nossa faca. Seja pela grossura e aspereza da corda, seja porque, Ă s vezes, a apertĂĄssemos demasiado, este instrumento fazia-nos por vezes sofrer horrivelmente. Jacinta deixava, Ă s vezes, cair algumas lĂĄgrimas com a força do incĂŽmodo que lhe causava; e, dizendo-lhe eu, algumas vezes, para a tirar, respondia: NĂŁo! Quero oferecer este sacrifĂcio a Nosso Senhor, em reparação e pela conversĂŁo dos pecadores.
Um outro dia, brincĂĄvamos, apanhando nas paredes umas ervas com as quais se dĂŁo uns estalidos ao apertĂĄ-las nas mĂŁos. Jacinta, ao apanhar estas ervas, colheu, sem querer, juntamente, umas urtigas, com as quais se picou. Ao sentir a dor, apertou-as mais nas mĂŁos e disse-nos: Olhem, olhem outra coisa com que nos podemos mortificar! Desde entĂŁo, ficamos com o costume de, de vez em quando, dar com as urtigas alguns golpes nas pernas, para oferecermos a Deus mais aquele sacrifĂcioâ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 92).
Dos sacrifĂcios involuntĂĄrios:
A perseguição por parte do administrador:
âQuando, passado algum tempo, estivemos presos, Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia com as lĂĄgrimas a correrem-lhe pelas faces: Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. NĂŁo se importaram mais de nĂłs! NĂŁo chores â lhe disse Francisco. â Oferecemos a Jesus, pelos pecadores. E levantando os olhos e mĂŁozinhas ao CĂ©u, fez ele o oferecimento: Ă, meu Jesus, Ă© por Vosso amor e pela conversĂŁo dos pecadores. Jacinta acrescentou: Ă tambĂ©m pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princĂpio, que se estaria a distrair com as vistas; mas nĂŁo tardei a reconhecer que chorava. Fui buscĂĄ-la para junto de mim e perguntei-lhe por que chorava: â Porque â respondeu â vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mĂŁes! E com as lĂĄgrimas as correr-lhe pelas faces: â Eu queria sequer, ver a minha mĂŁe! â EntĂŁo, tu nĂŁo queres oferecer este sacrifĂcio pela conversĂŁo dos pecadores? â Quero, quero. E com as lĂĄgrimas a banhar-lhe as faces, as mĂŁos e os olhos levantados ao CĂ©u, faz o oferecimento: Ă, meu Jesus, Ă© por Vosso amor, pela conversĂŁo dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Mariaâ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia pp 51-52).
A dĂșvida do pĂĄroco em relação Ă s apariçÔes:
âNĂŁo me parece uma revelação do CĂ©u. (âŠ) Isto tambĂ©m pode ser um engano do demĂŽnio. Vamos ver! O futuro nos dirĂĄ o que havemos de pensarâ (in MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 85).
Os maltratos da MĂŁe:
âMinha mĂŁe, para obrigar-me a dizer a verdade, como ela dizia, chegou, nĂŁo poucas vezes, a fazer-me sentir o peso de algum pau, destinado ao lume, que encontrasse no canto da lenha ou do cabo da vassoura. Mas, como ao mesmo tempo era mĂŁe, procurava depois levantar-me as forças decaĂdas e afligia-se ao ver-me definhar, com uma cara amarela, temendo que fosse adoecer.â (In MemĂłrias da Ir. LĂșcia p. 90)
A penitĂȘncia na Mensagem de FĂĄtima Ă© proposta na forma de sacrifĂcios oferecidos em ato de reparação e em oferecimento pela conversĂŁo dos pecadores. Somos chamados a crescer nesta via do oferecimento, buscando principalmente a retidĂŁo do nosso coração e a aceitação das contrariedades que nos sobrevĂȘm. Mas, para isso, devemos estar bem situados no contexto global da Mensagem de FĂĄtima: Oração, PenitĂȘncia e ConversĂŁo.
Nesse contexto, a reparação que nos Ă© pedida pela Virgem SantĂssima tem um relevo especial no SantuĂĄrio do Pai das MisericĂłrdias, em Cachoeira Paulista (SP), sede da Comunidade Canção Nova: âOlha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfĂȘmias e ingratidĂ”es. Tu, ao menos, vĂȘ de Me consolar e diz que todos aqueles que durante 5 meses, ao 1.° sĂĄbado, se confessarem, recebendo a Sagrada ComunhĂŁo, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistĂ©rios do RosĂĄrio, com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessĂĄrias para a salvação dessas almas.â (MemĂłrias da Ir. LĂșcia, p. 192)
Todos os primeiros sĂĄbados do mĂȘs, vivenciamos a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros SĂĄbados, conforme Nossa Senhora pediu nesta aparição de Pontevedra. Ăs 10h, iniciamos com a oração do Terço; em seguida, fazemos uma catequese sobre a Mensagem de FĂĄtima; depois, 15 minutos de meditação da Palavra (mistĂ©rios do Terço contidos na Sagrada Escritura). Ăs 12h, temos a Santa Missa votiva Ă Nossa Senhora. Fica faltando somente a confissĂŁo para completar todos os atos reparadores. A confissĂŁo deve ser feita no primeiro sĂĄbado, mas, na impossibilidade, pode ser feita 8 dias antes ou depois. Em todos esses atos reparadores, devemos sempre formular a intenção de reparar o Imaculado Coração de Maria.
Sendo essa a nossa Ășnica intenção, reparar o Coração Imaculado de Maria, vamos consolar seu coração ferido, que recorremos na maioria das vezes para pedir. Que, neste dia, seja a Ășnica intenção do nosso coração: reparar o Imaculado Coração de Maria.
VocĂȘ, que tem participado da Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros SĂĄbados, no SantuĂĄrio do Pai das MisericĂłrdias, pode dar o seu testemunho pelo e-mail: acolhida@paidasmisericordias.com
Para saber sobre os horårios de Missas e ConfissÔes, no Santuårio do Pai das Misericórdias, pode acessar o site paidasmisericordias.com.
Neste Ano Mariano, especialmente, busquemos crescer no amor para com a SantĂssima MĂŁe de Deus e, em tudo, busquemos agradar a seu coração imaculado, praticando o que ela nos pediu por meio dos Pastorinhos de FĂĄtima. Que Nossa Senhora nos ajude!
Ăurea Maria (Canção Nova)



